E seu jeito de permanecer mudo quanto a minha presença me dá pânico, me dá soluços em choro reprimido, não tenho muito que te falar, certamente já o teria falado nos momentos em que preciso saber de você, mas não tenho mesmo o que te falar. Forjei diálogos, improvisei e não há de fato o que ser falado. Poderia ligar pra você no domingo de manhã, falaríamos da época da manga, de como a chuva tem um cheiro de saudade, te explicaria a agressividade dos últimos dias, o medo, desespero e receio de você não se lembrar mais de mim a ouvir certa música, mas não posso te falar isso, não posso te falar nada. É que na verdade, você é quem deveria ter muito a me falar, deveria ter muito sentimento ai guardado, deveria sorrir ao ver uma foto minha perdida em meio a downloads de músicas clássicas e filmes épicos, e deveria ficar feliz... Por que ei... EU AINDA EXISTO. Imagino o tipo de amor que você tem a oferecer, algo cheio de comparações a amores antigos, cheio de marcas e cicatrizes. Algo estúpido. Te imagino vendo fotografias antigas, você me parece o tipo que não se desprende ao passado, embora queira transparecer nenhum comprometimento com a vida. Então querido, suas feridas ainda ardem muito? Pela forma como não me permitiu entrar no seu mundinho privado e danificado, acredito que devem sagrar. E seu jeito de não me falar nada, mais uma vez só faz de você o de sempre, previsível, como sempre. Me sinto egoísta ao pensar em você, mais um tipo de egoísmo diferente, ao contrario de só pensar em mim mesma, só penso em você mesmo, loucura.
E penso em ti algumas horas por dias. 16 horas por dias. As outras oito, eu durmo!
Saudades.
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